ofereço poema —
a quem me arrumar o quarto
poesia © LC Barreira
Mnemografias: imagens, textos e reflexões
Estas imagens procuram dar forma ao registo quotidiano, ao pulsar dos dias e à necessidade de preservar aquilo que, de outro modo, se perderia no tempo. São imagens que nascem da memória, da solidão e do silêncio — um silêncio que muitas vezes acompanha a experiência de olhar e que, simultaneamente, me inquieta e me interroga.
São, por isso, mnemografias: grafias da memória, imagens que procuram fixar não apenas aquilo que foi visto, mas também aquilo que foi vivido, pensado e sentido. Cada imagem constitui o vestígio de um instante e, ao mesmo tempo, o ponto de partida para uma reflexão sobre o tempo, o corpo e a própria experiência estética.
Estas grafias brotam de um processo simultaneamente reflexivo e mnemónico, desenvolvido ao longo do tempo, no qual a imagem deixa de ser apenas representação para se tornar lugar de pensamento. A memória transforma-se em matéria visual; o corpo torna-se arquivo; e a experiência vivida converte-se em linguagem.
É nesse movimento entre imagem, memória, corpo e pensamento que se revela aquilo a que podemos chamar corpo poiético: um corpo que não é apenas matéria ou presença, mas também criação, transformação e possibilidade. Um corpo que se inscreve no tempo e que, através da experiência estética, continuamente se refaz.
As mnemografias são, assim, tentativas de dar corpo ao que permanece: fragmentos de memória, vestígios de silêncio, pensamentos e imagens que resistem ao esquecimento e acompanham o devir estético.
Pesquisa por tema:
ofereço poema —
a quem me arrumar o quarto
poesia © LC Barreira
morrera de amores
morri uma vez —
ainda dói
poemas © LC Barreira
Annazul falta-lhe um parafuso — o meu
1991, poemas visuais © LC Barreira
um calhau rolado
é tão belo quanto —
Vénus de Botticelli
fotografia/poema © LC Barreira
arte
arte
amarte — erro ortográfico
arte
arte
1991 © LC Barreira
livro
tenho um amigo —
lido
poema © LC Barreira
pôr-do-sol
2026
poemas visuais © LC Barreira
Santo António
cheira a sardinha —
Lisboa
reza em manjericos
poemas © LC Barreira
Fotógrafo
a partir de amanhã
não volto a fotografar —
tudo,
tudo o que me rodeia
registarei
com o olhar
poemas © LC Barreira
Camões revisitado
amor —
que arda
mas sare
ferida —
que dói
e não se vê
no dia 10 de junho
poemas © LC Barreira
amor desenhado
amar é —
8
deitado
poesias visuais, 1999
© LC Barreira
COR
P O
poemas visuais © LC Barreira
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer —
amanhã
quando acordar
morrerei outra vez
in Sem Rumo
poesia © LC Barreira
pôr-do-sol
poemas visuais
2024 @ LC Barreira
original, 1999 [para a Catarina]
in Poemas lidos © LC Barreira
para o Guilherme
preso por um fio,
o papagaio de papel
voa,
voa
voa,
voa
percorre mundo
antes de adormecer
no fim do fio,
leva os sonhos —
Gui
a sorrir
retrato de sofia —
namora [a preencher pela aniversariante] nuvens brancas
feliz aniversário, Sofia
Sobre a Tua Ausência
poema de Luiz Carvalho
in “A Cartografia do Colo”
primeira edição
Abril, 2026
A Casa do Povo
ISBN 978-989-36854-0-2
LC Barreira
VINTE E CINCO
ABRIS
1999
Abris
abrir
abril —
abris
in VINTE E CINCO ABRIS, 1999 © LC Barreira
Luís Carvalho Barreira
25 de Abril — nuvem da liberdade, 2026
modelo: Yasmin Woler
Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa
serie: fashion
arquivo: 20260329_NK5_4721
acorda
levanta-te —
fim
está aí
25 nuvens —
noite
pode esperar
in VINTE E CINCO ABRIS, 1999 © LC Barreira
Editora Cordel d’Prata
Colectânea poética, Volume 2
Auditório Ruy de Carvalho
Carnaxide
Participação: