Luís Carvalho Barreira
Y O U #05, 2026
ensaio
fotografia
arquivo: 20261001_DSCF6739
Mnemografias: imagens, textos e reflexões
Estas imagens procuram dar forma ao registo quotidiano, ao pulsar dos dias e à necessidade de preservar aquilo que, de outro modo, se perderia no tempo. São imagens que nascem da memória, da solidão e do silêncio — um silêncio que muitas vezes acompanha a experiência de olhar e que, simultaneamente, me inquieta e me interroga.
São, por isso, mnemografias: grafias da memória, imagens que procuram fixar não apenas aquilo que foi visto, mas também aquilo que foi vivido, pensado e sentido. Cada imagem constitui o vestígio de um instante e, ao mesmo tempo, o ponto de partida para uma reflexão sobre o tempo, o corpo e a própria experiência estética.
Estas grafias brotam de um processo simultaneamente reflexivo e mnemónico, desenvolvido ao longo do tempo, no qual a imagem deixa de ser apenas representação para se tornar lugar de pensamento. A memória transforma-se em matéria visual; o corpo torna-se arquivo; e a experiência vivida converte-se em linguagem.
É nesse movimento entre imagem, memória, corpo e pensamento que se revela aquilo a que podemos chamar corpo poiético: um corpo que não é apenas matéria ou presença, mas também criação, transformação e possibilidade. Um corpo que se inscreve no tempo e que, através da experiência estética, continuamente se refaz.
As mnemografias são, assim, tentativas de dar corpo ao que permanece: fragmentos de memória, vestígios de silêncio, pensamentos e imagens que resistem ao esquecimento e acompanham o devir estético.
Pesquisa por tema:
Luís Carvalho Barreira
Y O U #05, 2026
ensaio
fotografia
arquivo: 20261001_DSCF6739
wedding day
Rodrigo & Catarina
Lisboa, 10.10.2026
Luís Carvalho Barreira
Y O U #04, 2026
ensaio
fotgrafia
arquivo: 20261001_DSCF6735
Luís Carvalho Barreira
paisagens habitadas, 2026
modelo: Yasmin Woler
Pavilhão da Ajuda
fotografia
arquivo: 20261004_NK5_7669
Luís Carvalho Barreira
paisagens habitadas, 2026
modelo: Maria Nayara
fotografia
arquivo: 20261004_NK5_7739
Luís Carvalho Barreira
FALL 26
modelo: Yasmin Woler
fotografia
arquivo: 20261004_NK5_7652
5 de Outubro - Viva a República
Lisboa, 2026
design: Luís Barreira
Em 5 de Outubro de 1143, na Conferência de Zamora, D. Afonso Henriques e o seu primo, D. Afonso VII, rei de Leão e Castela, chegaram a um acordo que consolidou a autonomia política de Portugal e o reconhecimento de D. Afonso Henriques como rei.
A formação do Reino de Portugal, porém, deve ser entendida no contexto político e dinástico da Península Ibérica medieval. Longe de resultar directamente de uma suposta continuidade do antigo povo Lusitano, Portugal nasceu da conjugação de diferentes linhagens, alianças e interesses políticos. Entre estes, tiveram particular importância as famílias nobres galegas e a influência da aristocracia de origem francesa que se estabeleceu na Península, sobretudo através da Casa de Borgonha.
A própria ascensão de D. Afonso Henriques está profundamente ligada a esse contexto. O seu pai, D. Henrique de Borgonha, era um nobre de origem francesa, enquanto a sua mãe, D. Teresa, pertencia à linhagem régia leonesa e era filha de Afonso VI de Leão e Castela. A formação política do território portucalense resultou, assim, da interacção entre as elites galegas, leonesas e francas, num espaço fronteiriço onde diferentes tradições políticas e familiares se cruzavam.
Em 23 de maio de 1179, o Papa Alexandre III promulgou a bula Manifestis Probatum, reconhecendo solenemente D. Afonso Henriques como rei e confirmando o Reino de Portugal sob a protecção da Santa Sé.
Deste modo, a história de Portugal não começa com um mítico regresso dos Lusitanos, mas com um processo medieval de construção política, territorial e dinástica. O nome e a memória da Lusitânia seriam posteriormente incorporados na identidade histórica portuguesa, mas o Reino de Portugal nasceu, concretamente, das circunstâncias políticas e das linhagens que moldaram a Península Ibérica dos séculos XI e XII.
Luís Carvalho Barreira
Y O U #03, 2026
ensaio
fotografia
arquivo: 20261001_DSCF6734
Luís Carvalho Barreira
Y O U #02, 2026
ensaio
fotografia
arquivo: 20261001_DSCF6731
Luís Carvalho Barreira
Y O U #01, 2026
ensaio
fotografia
arquivo: 20261001_DSCF6719
perda
amar:
pedra de tempo
no regaço
abrigas
Annazul, 1988 @ LC Barreira
Luís Carvalho Barreira
o outro lado da fotografia #5, 2026
fotografia
arquivo: 20260927_NK5_7241
Luís Carvalho Barreira
o outro lado da fotografia #04, 2026
fotografia
arquivo: 20260927_NK5_7235
Luís Carvalho Barreira
o outro lado da fotografia #03, 2026
fotografia
arquivo: 20260925_NK5_7222
Luís Carvalho Barreira
o outro lado da fotografia #02, 2026
fotografia
arquivo: 20260925_NK5_7227
Luís Carvalho Barreira
ovos, 1985
Portela
fotografia
gelatin Silver print
arquivo: 1985_FOLIO_019_4245
Luís Carvalho Barreira
outro lado da fotografia #01, 2026
serie: narrativas poiéticaa
fotografia
arquivo: 20260925_NK5_7224
árvores nuas
no Inverno —
serenidade do eterno gesto
quando se despem no frio
abraço do instante
agradam
mesmo quando o coração
parece distante —
silêncio
de quem conhece
o tempo
quando estas árvores se desnudam descobrem as minhas raízes, 1983 © LC Barreira
Apelo
não cortem árvores —
demoram muito a medrar
fora do coração
um carvalho abatido
a madeira
leva consigo a sombra
quando estas árvores se desnudam descobrem as minhas raízes, 1983 © LC Barreira
Meia-laranja
abro um livro
uma folha de eucalipto —
herbário da memória
lenta, a respiração
do silêncio
arde
no verso
tarde canícula
esperando a carícia
do sabor fresco
dormia
com meia-laranja
aos pés,
e as amoras
esmagadas no chão
Vidago —
agrada-me, sempre, falar de árvores:
o eucalipto gigante do Grande Hotel
e a amoreira da Meia-laranja —
na sombra da memória
ainda de pé
Quando estas árvores se desnudam descobrem as minhas raízes, 1983 © LC Barreira