Yasmin Woler

Luís Carvalho Barreira

paisagens habitadas, 2026

modelo: Yasmin Woler

Pavilhão da Ajuda

fotografia

arquivo: 20261004_NK5_7669

5 de Outubro

5 de Outubro - Viva a República

Lisboa, 2026

design: Luís Barreira

Em 5 de Outubro de 1143, na Conferência de Zamora, D. Afonso Henriques e o seu primo, D. Afonso VII, rei de Leão e Castela, chegaram a um acordo que consolidou a autonomia política de Portugal e o reconhecimento de D. Afonso Henriques como rei.

A formação do Reino de Portugal, porém, deve ser entendida no contexto político e dinástico da Península Ibérica medieval. Longe de resultar directamente de uma suposta continuidade do antigo povo Lusitano, Portugal nasceu da conjugação de diferentes linhagens, alianças e interesses políticos. Entre estes, tiveram particular importância as famílias nobres galegas e a influência da aristocracia de origem francesa que se estabeleceu na Península, sobretudo através da Casa de Borgonha.

A própria ascensão de D. Afonso Henriques está profundamente ligada a esse contexto. O seu pai, D. Henrique de Borgonha, era um nobre de origem francesa, enquanto a sua mãe, D. Teresa, pertencia à linhagem régia leonesa e era filha de Afonso VI de Leão e Castela. A formação política do território portucalense resultou, assim, da interacção entre as elites galegas, leonesas e francas, num espaço fronteiriço onde diferentes tradições políticas e familiares se cruzavam.

Em 23 de maio de 1179, o Papa Alexandre III promulgou a bula Manifestis Probatum, reconhecendo solenemente D. Afonso Henriques como rei e confirmando o Reino de Portugal sob a protecção da Santa Sé.

Deste modo, a história de Portugal não começa com um mítico regresso dos Lusitanos, mas com um processo medieval de construção política, territorial e dinástica. O nome e a memória da Lusitânia seriam posteriormente incorporados na identidade histórica portuguesa, mas o Reino de Portugal nasceu, concretamente, das circunstâncias políticas e das linhagens que moldaram a Península Ibérica dos séculos XI e XII.

perda

perda

amar:

pedra de tempo

no regaço

abrigas

Annazul, 1988 @ LC Barreira

ovos

Luís Carvalho Barreira

ovos, 1985

Portela

fotografia

gelatin Silver print

arquivo: 1985_FOLIO_019_4245

árvores nuas

árvores nuas

 

 

no Inverno —

serenidade do eterno gesto

quando se despem no frio

abraço do instante

 

agradam

mesmo quando o coração

parece distante —

 

silêncio

de quem conhece

o tempo

quando estas árvores se desnudam descobrem as minhas raízes, 1983 © LC Barreira

Apelo: não cortem as árvores

Apelo

 

 

não cortem árvores —

 

demoram muito a medrar

fora do coração

 

um carvalho abatido

a madeira

leva consigo a sombra

quando estas árvores se desnudam descobrem as minhas raízes, 1983 © LC Barreira

meia-laranja

Meia-laranja

 

 

abro um livro

uma folha de eucalipto —

herbário da memória

 

lenta, a respiração

do silêncio

arde

no verso

 

tarde canícula

esperando a carícia

do sabor fresco

 

dormia

com meia-laranja

aos pés,

e as amoras

esmagadas no chão

 

 

Vidago —

 

agrada-me, sempre, falar de árvores:

o eucalipto gigante do Grande Hotel

e a amoreira da Meia-laranja —

na sombra da memória

ainda de pé

Quando estas árvores se desnudam descobrem as minhas raízes, 1983 © LC Barreira