meia-laranja

Meia-laranja

 

 

abro um livro

uma folha de eucalipto —

herbário da memória

 

lenta, a respiração

do silêncio

arde

no verso

 

tarde canícula

esperando a carícia

do sabor fresco

 

dormia

com meia-laranja

aos pés,

e as amoras

esmagadas no chão

 

 

Vidago —

 

agrada-me, sempre, falar de árvores:

o eucalipto gigante do Grande Hotel

e a amoreira da Meia-laranja —

na sombra da memória

ainda de pé

Quando estas árvores se desnudam descobrem as minhas raízes, 1983 © LC Barreira