Fotógrafo
a partir de amanhã
não volto a fotografar —
tudo,
tudo o que me rodeia
registarei
com o olhar
poemas © LC Barreira
Mnemografias: imagens, textos e reflexões
Estas imagens procuram dar forma ao registo quotidiano, ao pulsar dos dias e à necessidade de preservar aquilo que, de outro modo, se perderia no tempo. São imagens que nascem da memória, da solidão e do silêncio — um silêncio que muitas vezes acompanha a experiência de olhar e que, simultaneamente, me inquieta e me interroga.
São, por isso, mnemografias: grafias da memória, imagens que procuram fixar não apenas aquilo que foi visto, mas também aquilo que foi vivido, pensado e sentido. Cada imagem constitui o vestígio de um instante e, ao mesmo tempo, o ponto de partida para uma reflexão sobre o tempo, o corpo e a própria experiência estética.
Estas grafias brotam de um processo simultaneamente reflexivo e mnemónico, desenvolvido ao longo do tempo, no qual a imagem deixa de ser apenas representação para se tornar lugar de pensamento. A memória transforma-se em matéria visual; o corpo torna-se arquivo; e a experiência vivida converte-se em linguagem.
É nesse movimento entre imagem, memória, corpo e pensamento que se revela aquilo a que podemos chamar corpo poiético: um corpo que não é apenas matéria ou presença, mas também criação, transformação e possibilidade. Um corpo que se inscreve no tempo e que, através da experiência estética, continuamente se refaz.
As mnemografias são, assim, tentativas de dar corpo ao que permanece: fragmentos de memória, vestígios de silêncio, pensamentos e imagens que resistem ao esquecimento e acompanham o devir estético.
Pesquisa por tema:
Fotógrafo
a partir de amanhã
não volto a fotografar —
tudo,
tudo o que me rodeia
registarei
com o olhar
poemas © LC Barreira
Camões revisitado
amor —
que arda
mas sare
ferida —
que dói
e não se vê
no dia 10 de junho
poemas © LC Barreira
amor desenhado
amar é —
8
deitado
poesias visuais, 1999
© LC Barreira
COR
P O
poemas visuais © LC Barreira
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer
vou morrer —
amanhã
quando acordar
morrerei outra vez
in Sem Rumo
poesia © LC Barreira
pôr-do-sol
poemas visuais
2024 @ LC Barreira
original, 1999 [para a Catarina]
in Poemas lidos © LC Barreira
para o Guilherme
preso por um fio,
o papagaio de papel
voa,
voa
voa,
voa
percorre mundo
antes de adormecer
no fim do fio,
leva os sonhos —
Gui
a sorrir
retrato de sofia —
namora [a preencher pela aniversariante] nuvens brancas
feliz aniversário, Sofia
Sobre a Tua Ausência
poema de Luiz Carvalho
in “A Cartografia do Colo”
primeira edição
Abril, 2026
A Casa do Povo
ISBN 978-989-36854-0-2
LC Barreira
VINTE E CINCO
ABRIS
1999
Abris
abrir
abril —
abris
in VINTE E CINCO ABRIS, 1999 © LC Barreira
Luís Carvalho Barreira
25 de Abril — nuvem da liberdade, 2026
modelo: Yasmin Woler
Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa
serie: fashion
arquivo: 20260329_NK5_4721
acorda
levanta-te —
fim
está aí
25 nuvens —
noite
pode esperar
in VINTE E CINCO ABRIS, 1999 © LC Barreira
Editora Cordel d’Prata
Colectânea poética, Volume 2
Auditório Ruy de Carvalho
Carnaxide
Participação:
Luís Carvalho Barreira
“até que as palavras deixem de respirar”, 2025
performed by Gabriel Silve e Igor Fidelis
fashion designer: slastudio
Lisboa
Fotografia / Performance
arquivo: 20250720_NK4_5325
Annazul,
segura bem a palavra
com as duas mãos,
até que ela
deixe de respirar...
mnemografias @ LCB
Luis Carvalho Barreira
Grafias de Duas Ervilhas
serie: instantes trágicos
Fotografia / Poesia
arquivo: 2024_07_22_NK4_2157
POEMA
Duas ervilhas
Duas ervilhas gandaiam
em lavrado prato branco.
Uma é esguia e movediça
a outra é plácida e desocupada
pronta a ser degustada.
Ao dirimir do garfo
a inconstante ervilha
esguia-se
e não se deixa trespassar.
De investida em investida
o sedutor poeta
embriagado pela fantasia
teima em bandarilhar.
Exausto de tanto assédio
abandona-a ao pranto
desiste de a picotar...
Quanto à remanente ervilha
tinha o fado traçado
foi papada...
Luis Carvalho Barreira, ODE1O, 1991
Luís Carvalho Barreira
“odeio círculos concêntricos”, 2024
serie: palavras nuas
Fotografia
arquivo: 2024_05_22_LCB_05-683
círculos concêntricos
ODE1O círculos concêntricos.
Semblantes aros desfolhados
Quero acamar meu desejo
(entre parênteses)
Centrado em teu corpo nu
Ah, espera aí...
eu disse que detestava as formas concêntricas?
Não, nada disso!
Não devia estar concentrado!
A excentricidade está entre parênteses.
Luís Carvalho Barreira
Inês de Castro (Lusíadas), 2024
serie: palavras nuas
Fotografia
arquivo: 2024_06_28_LCB_06-820
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saüdosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
Luís de Camões, Lusíadas [Canto III, CXX]
Luís Carvalho Barreira
Vidago, 1983
serie: “quando estas árvores se desnudam, descobrem as minhas raízes”
Fotografia
Gelatin Silver print
arquivo: 1983_FOLIO_013_4148
Outono
A simplicidade das palavras
são folhas caídas
sendas engelhadas
que o tempo tece
neste corpo levante.
Sorriste, neste caminho inexorável
para o ocaso.
Quero dissipar-me nas memórias
do teu regaço que nega tardar
perder-me nos teus seios primaveris
que as folhas de outono não tardarão recordar.
cravo vermelho, 2019
serie: 25 de Abril, 50 anos
Fotografia / Poema
arquivo: 2019_04_24_IMG_0869_25abril_poema
Olhai à vossa volta
embriagai-vos de verdade
cravos teremos sempre
pois vive em nós a Liberdade
Luís Carvalho Barreira
couve, 2024
Lisboa
Fotografia
arquivo: 2024_02_10_IMG_2605
De dia
sonho com couves-flores.
À noite
a Margarida faz-me pesadelos...
1988 @ anartchist
Luís Carvalho Barreira
Lisboa, 2024
A luz é a poesia da Natureza.
A Arte é o seu idioma.
Fotografia / Poema
arquivo: 2024_02_10_IMG_2608