short stories [ııı]

short stories [ııı]David Carvalho [avô]conceptual portrait by Luís Carvalho BarreiraColagensarquivo: 2020_Foto0002_David_03

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David Carvalho [avô]

conceptual portrait by Luís Carvalho Barreira

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short stories [II]

short stories [II], 2020David Carvalho [avô]conceptual portrait by Luís Carvalho BarreiraFotografiaarquivo: 2020_Foto0002_David_02

short stories [II], 2020

David Carvalho [avô]

conceptual portrait by Luís Carvalho Barreira

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short stories [I]

short stories [I]David Carvalho [avô]conceptual portrait by Luís Carvalho Barreira2020serie:

short stories [I]

David Carvalho [avô: 1893-19xx]

conceptual portrait by Luís Carvalho Barreira

2020

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Túmulo de Inês de Castro

© Luís Carvalho BarreiraTúmulo de Inês de CastroMosteiro de Alcobaça, 2020serie:Fotografiaarquivo: 2020_08_13_DSCF5691câmara: Fujifilm X 100F

© Luís Carvalho Barreira

Túmulo de Inês de Castro

Mosteiro de Alcobaça, 2020

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Fotografia

arquivo: 2020_08_13_DSCF5691

câmara: Fujifilm X 100F

Fátima Vaz & Luís Barreira

Fátima Vaz & Luís Barreira Villa D'Este, 1990Série: ROMA'90Foto: Artur Amaroarquivo: SLIDE_21734, 1990

Fátima Vaz & Luís Barreira

Villa D'Este, 1990

Série: ROMA'90

Foto: Artur Amaro

arquivo: SLIDE_21734, 1990

 

Villa d’Este, Tivoli — poder, água e representação

Localização: Tivoli, Itália

Construção: 1560–1572

Arquiteto: Pirro Ligorio

Encomendante: Cardeal Hipólito II d’Este (1509–1572)

 

 

 

A Villa d’Este, em Tivoli, é uma das grandes realizações do Renascimento italiano. Construída a partir de 1560 para o cardeal Hipólito II d’Este, a villa transformou uma antiga residência religiosa num extraordinário conjunto de jardins, terraços, esculturas e fontes.

Mais do que um lugar de lazer, a Villa d’Este deve ser entendida como uma obra de representação do poder. A água, a arquitectura e a natureza foram organizadas para demonstrar a riqueza, a cultura e a influência do seu proprietário.

Hipólito II d’Este

Hipólito nasceu em 1509, filho de Afonso I d’Este, duque de Ferrara, e de Lucrécia Bórgia.

Pertencia, portanto, a uma das famílias mais poderosas da Itália renascentista. Desde cedo esteve ligado à vida política e diplomática das cortes europeias.

Em 1539, foi nomeado cardeal pelo papa Paulo III. A carreira eclesiástica oferecia-lhe uma posição de enorme prestígio, mas não significava necessariamente uma vida afastada dos prazeres mundanos.

Quando se estabeleceu em Roma, Hipólito passou a alimentar uma ambição ainda maior: ser eleito papa.

Participou de vários conclaves, mas nunca conseguiu alcançar o pontificado.

A Villa d’Este pode ser vista, nesse contexto, como uma espécie de compensação simbólica: se Hipólito não conseguiu conquistar o poder supremo da Igreja, criou em Tivoli uma residência capaz de expressar a dimensão da sua riqueza, cultura e ambição.

A transformação de Tivoli

Tivoli possuía uma longa tradição de grandes residências aristocráticas.

Desde a Antiguidade, a região era apreciada pelas suas águas, paisagens e proximidade com Roma. O exemplo mais famoso é a Villa Adriana, construída pelo imperador Adriano no século II.

Hipólito aproveitou precisamente essa tradição.

A Villa d’Este foi construída sobre uma área anteriormente ocupada por um convento e incorporou elementos arquitectónicos e escultóricos provenientes do território de Tivoli.

O projeto ficou a cargo de Pirro Ligorio, arquiteto, antiquário e estudioso da Antiguidade.

Ligorio compreendia perfeitamente a linguagem cultural do Renascimento: recuperar a Antiguidade para criar uma nova forma de magnificência.

A água como símbolo de poder

O elemento mais extraordinário da Villa d’Este é a água.

Centenas de fontes, canais, cascatas e jogos hidráulicos foram distribuídos pelos jardins.

A água vinha do rio Aniene e era conduzida através de um sofisticado sistema hidráulico que permitia alimentar as fontes sem a utilização das modernas tecnologias de bombeamento.

Esse domínio sobre a água tinha também um significado simbólico.

Controlar a natureza significava demonstrar poder.

O cardeal não apenas possuía uma paisagem: ele era capaz de organizar, domesticar e fazer a própria natureza trabalhar para a sua glória.

O jardim como teatro

A Villa d’Este não deve ser entendida simplesmente como um jardim.

Ela funciona como um grande teatro ao ar livre.

O visitante percorre diferentes níveis, encontra fontes, esculturas, grutas artificiais, árvores e perspectivas arquitectónicas. A experiência é construída progressivamente.

A natureza é transformada em espectáculo.

As fontes não servem apenas para fornecer água. Produzem som, movimento, luz e surpresa.

A água cai, corre, jorra e desaparece; o visitante é continuamente surpreendido por novos efeitos.

É uma concepção profundamente renascentista do jardim: arte e natureza deixam de ser elementos separados e passam a formar uma única composição.

A Antiguidade como modelo

O programa decorativo da Villa d’Este está profundamente ligado à cultura clássica.

Deuses, heróis, símbolos mitológicos e referências à Roma Antiga aparecem associados ao espaço arquitectónico.

Essa presença da Antiguidade não era apenas decorativa.

Para um aristocrata renascentista, demonstrar conhecimento da cultura clássica era também demonstrar educação, autoridade e refinamento intelectual.

Hipólito apresentava-se como herdeiro de uma tradição cultural que remontava à Roma imperial.

A proximidade da Villa Adriana reforçava ainda mais essa associação.

A Villa como imagem do cardeal

Existe uma relação directa entre o proprietário e o jardim.

Hipólito era um homem da Igreja, mas também membro de uma poderosa família aristocrática. A villa traduz visualmente essa dualidade.

Por um lado, encontramos referências religiosas e à autoridade eclesiástica. Por outro, encontramos luxo, prazer, mitologia e celebração da natureza.

A residência manifesta, portanto, a tensão característica da cultura renascentista entre o sagrado e o profano.

A água, nesse contexto, torna-se também uma metáfora da abundância e da generosidade do proprietário.

O destino da água

A enorme quantidade de água utilizada pela Villa d’Este também demonstra a dimensão extraordinária do projecto.

A água descia em direcção ao vale e ao curso do Aniene, passando pela região dos antigos monumentos de Tivoli.

Nos séculos seguintes, a mesma infra-estrutura hidráulica seria aproveitada para outras finalidades.

Durante o século XVII, parte da água foi utilizada em instalações industriais, incluindo uma fundição destinada à produção de objectos de ferro e armamentos.

É uma transformação particularmente significativa.

A água que no século XVI servia para produzir o espectáculo da magnificência aristocrática passou posteriormente a alimentar a produção industrial e militar.

Do jardim ao poder moderno

A história da Villa d’Este pode ser colocada em paralelo com a transformação de outros espaços ligados ao poder em Roma.

O antigo Monte Cavallo, onde Hipólito havia vivido, viria a receber o Palácio do Quirinal.

O edifício tornou-se posteriormente residência papal, depois residência do rei de Itália e, actualmente, residência oficial do Presidente da República Italiana.

Temos, portanto, uma curiosa continuidade histórica:

Cardeais, papas, reis e presidentes.

Os lugares mudam de função, mas continuam associados à representação do poder.

Conclusão

A Villa d’Este é muito mais do que uma residência renascentista com belas fontes.

Ela é uma obra política transformada em arquitectura e paisagem.

Hipólito d’Este não conseguiu tornar-se papa, mas criou em Tivoli um espaço que afirmava visualmente a sua posição, a sua cultura e a sua ambição.

Através de água, jardins, mitologia, arquitectura e memória da Antiguidade, a villa transforma a natureza num espectáculo de poder.

A água é, talvez, o elemento mais eloquente dessa mensagem: quem controla a água controla a paisagem; quem controla a paisagem demonstra que é capaz de dominar a própria natureza.

E a história posterior acrescenta uma ironia poderosa: a mesma água que alimentava as fontes destinadas ao prazer e à ostentação de um cardeal acabou sendo utilizada para produzir armas. A paisagem renascentista de luxo e beleza e a infra-estrutura moderna de produção revelam, assim, duas faces diferentes do poder humano sobre a natureza.

"pathos #023_4332

Luís Barreiras/título, 1986/93série: pathosfotografiaGelatin Silver printarquivo: F_023_4332, 1986F_476 

Luís Barreira

s/título, 1986/93

série: pathos

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F_023_4332, 1986

F_476

 

Arealva

Luís BarreiraS/título, Arealva #01, 1992Fotografia/InstalaçãoGelatin Silver printSérie: Arealva

Luís Barreira

S/título, Arealva #01, 1992

Fotografia/Instalação

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Série: Arealva

Santa Bárbara - Mafra

Santa Bárbara, Basílica de Mafra, 2015Foto: Luís Barreira

Santa Bárbara, Basílica de Mafra, 2015

Foto: Luís Barreira

Poder Crer em Santa Bárbara

 

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranquilamente, como o muro do quintal;
Tendo ideias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...

Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa
Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,

Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós ...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema IV"