Auto-retrato

Auto-retrato, 2006Classic portrait, 2014série: Classic portraitFotografiaarquivo: 03_15_DSC02228, 2006 / 08_05_IMG8515, 2014

Auto-retrato, 2006

Classic portrait, 2014

série: Classic portrait

Fotografia

arquivo: 03_15_DSC02228, 2006 / 08_05_IMG8515, 2014

Jorge Pinheiro

Jorge Pinheiro, O corvo, 1989Pintura óleo s/ telaCol. Particular

Jorge Pinheiro, O corvo, 1989

Pintura óleo s/ tela

Col. Particular

Jorge Pinheiro 

Nasceu em Coimbra em 1931

Formado pela ESBAP em 1963 com a classificação de 20 valores formou em 1968 o grupo dos "Os Quatro Vintes" juntamente com Ângelo de Sousa, Armando Alves e José Rodrigues.

Depois de uma incursão no abstracionismo geométrico, nos anos 60, Jorge Pinheiro retoma a tendência figurativa com um conjunto de quadros de temática religiosa e mística, dos quais destacamos a série dos Bispos realizados a partir dos anos 70.

Jorge Pinheiro (que foi meu professor na ESBAL) é um dos grandes pintores portugueses do nosso tempo (Século XX-XXI).

 

Barrete Frígio

14 JULHO

Barrete Frígio da Revolução Francesa

Barrete Frígio da Revolução Francesa

O barrete frígio: cortar o nó górdio

 

O barrete frígio: cortar o nó górdio

 

O barrete frígio, que viria a transformar-se num dos mais poderosos símbolos da Revolução Francesa de 1789, transporta consigo uma história muito mais antiga do que a própria ideia de revolução. A sua origem remete-nos para a Frígia, região da Ásia Menor, povoada por histórias, mitos e personagens lendárias que a tradição clássica haveria de perpetuar.

É precisamente dessa região que nos chegam três figuras emblemáticas: Górdio, Midas e Migdão. Górdio, um simples camponês, tornou-se rei graças a uma profecia; Midas, seu filho, ficou célebre pelo extraordinário poder de transformar em ouro tudo aquilo em que tocava; e Migdão surge nas narrativas míticas associado aos conflitos entre os frígios e as amazonas. Entre estas personagens, porém, é Górdio quem nos oferece uma das metáforas mais persistentes da cultura ocidental: o nó górdio.

Conta a tradição que, depois da morte do rei da Frígia sem deixar descendência, o oráculo anunciou que o próximo soberano seria aquele que chegasse à cidade num carro de bois. A profecia cumpriu-se através de Górdio, um camponês que, inesperadamente, foi conduzido ao trono. Para não esquecer a sua humilde origem, Górdio depositou no templo de Zeus a carroça que o havia conduzido à cidade e amarrou-a a uma coluna com um enorme e intrincado nó.

O nó tornou-se célebre porque ninguém conseguia desatá-lo. A tradição acrescentou então uma nova profecia: aquele que conseguisse desfazê-lo seria destinado a conquistar a Ásia.

Durante séculos, o desafio permaneceu por resolver. Até que, em 334 a.C., Alexandre, o Grande, passou pela Frígia. Ao ouvir a história, dirigiu-se ao templo para observar o famoso nó. Depois de o examinar, em vez de procurar a solução dentro das regras que haviam mantido todos os outros prisioneiros do problema, desembainhou a espada e cortou-o.

Pouco importa saber onde termina a história e começa a lenda. O essencial é a metáfora. Alexandre não desatou o nó: cortou-o. Encontrou uma solução que rompeu com a própria lógica do problema.

É precisamente daqui que nasce a expressão “cortar o nó górdio”, utilizada para designar a resolução rápida e radical de uma questão aparentemente insolúvel. Mais do que encontrar uma resposta dentro das regras existentes, significa questionar as próprias regras que tornaram o problema impossível de resolver.

E talvez seja aqui que o barrete frígio encontre a sua verdadeira dimensão simbólica.

Quando, muitos séculos depois, o barrete passa a ser associado à liberdade, à emancipação e à Revolução Francesa, deixa de ser apenas um elemento de vestuário para se transformar numa imagem política. Colocado sobre a cabeça dos revolucionários, torna-se símbolo daquele que rompe com a ordem estabelecida e se recusa a aceitar como inevitável aquilo que parecia impossível de transformar.

O barrete torna-se, assim, uma espécie de coroa da liberdade: não pertence ao rei, mas ao cidadão; não representa a submissão, mas a emancipação. É a inversão simbólica da velha ordem. Onde antes existia uma coroa que legitimava o poder de um soberano, surge agora um barrete que proclama a liberdade daquele que decide o seu próprio destino.

E aqui podemos regressar a Górdio e a Alexandre.

O nó górdio representa o problema aparentemente insolúvel; o barrete frígio, a vontade de o enfrentar. Um simboliza a dificuldade, o outro a ruptura. Entre ambos encontramos uma mesma ideia: quando as soluções convencionais deixam de funcionar, talvez seja necessário mudar a pergunta, romper a regra ou, simplesmente, cortar o nó.

Midas acrescenta ainda uma outra dimensão a esta metáfora. Se Górdio representa aquele que se confronta com o impossível e Alexandre aquele que encontra uma solução radical, Midas representa o desejo de transformar o mundo através do poder que lhe foi concedido. Mas o seu dom rapidamente se transforma numa maldição: tudo aquilo em que toca converte-se em ouro, incluindo aquilo de que necessita para viver.

Talvez a lição seja precisamente esta: nem todos os problemas se resolvem com mais poder, mais riqueza ou mais força. Alguns exigem imaginação.

É por isso que o barrete frígio pode ser entendido como símbolo daqueles que ousam “pensar fora da caixa”. Daqueles que não aceitam o mundo como uma realidade acabada e que, perante os nós górdios da existência, procuram uma outra possibilidade.

A história da Frígia oferece-nos, assim, duas imagens extraordinariamente atuais: o nó que parece impossível de desatar e a espada que ousa cortá-lo.

Como escreveria Shakespeare, fazendo eco desta velha metáfora, há quem seja capaz de resolver o “nó górdio” com a mesma facilidade com que se desata uma jarreteira.

Talvez a verdadeira revolução comece precisamente aí: quando alguém deixa de tentar desatar o nó e decide cortá-lo.

 

Texto: 2017 © Luís Carvalho Barreira

Ovo da Páscoa

Ovo, 1985

fotografia de Luís Carvalho Barreira


O ovo da Páscoa — o corpo fechado e o mistério da vida

 

 

Muitos dos símbolos que hoje associamos à Páscoa possuem uma longa história anterior ao cristianismo. Ovos, flores, animais, sementes, ritos de passagem e celebrações da Primavera participam de um universo simbólico muito mais antigo, ligado aos ciclos da Natureza, à fertilidade da terra, à reprodução e à renovação da vida. Com a expansão do cristianismo, algumas destas práticas foram progressivamente integradas, reinterpretadas ou ganhando um novo significado no interior da celebração da Páscoa e da Ressurreição de Cristo.

Mas por que razão o ovo se tornou um dos seus símbolos mais persistentes?

A resposta talvez esteja na própria forma do objecto.

O ovo é simultaneamente matéria e promessa. É um corpo fechado que contém, no seu interior, uma vida que ainda não podemos ver. A sua superfície esconde aquilo que está para nascer. Existe, portanto, uma tensão entre o exterior e o interior, entre aquilo que conhecemos e aquilo que permanece oculto. Antes de se abrir, o ovo é apenas matéria; depois de aberto, revela uma possibilidade de vida.

É precisamente esta condição que lhe confere uma extraordinária força simbólica.

O ovo pode representar o princípio, a origem, o germe, a fecundidade e a esperança. É uma imagem elementar da passagem entre o invisível e o visível: algo existe dentro dele, mas ainda não se manifestou. O ovo encerra, assim, uma espécie de promessa ontológica — a possibilidade de uma existência que ainda não aconteceu.

Neste sentido, o ovo aproxima-se de uma das questões fundamentais que atravessam a experiência humana: como nasce a vida?

O ser humano observa a Natureza e reconhece os seus ciclos. A semente desaparece na terra para depois germinar; o animal reproduz-se; a planta morre e renasce; o Inverno dá lugar à Primavera. O ovo participa desta mesma lógica. É um corpo aparentemente imóvel que contém movimento; uma matéria silenciosa que contém uma possibilidade; uma forma finita que guarda a promessa de uma nova existência.

É nesta relação entre corpo, fecundidade e transformação que podemos reconhecer uma manifestação do nosso corpo poiético.

O corpo poiético é aquele que não se limita a existir: gera, transforma e produz significado. O ovo constitui uma das suas imagens mais elementares. É um corpo que contém outro corpo; uma matéria que produz vida; uma forma que anuncia outra forma.

Ao longo da História, esta capacidade simbólica foi ampliada pela cultura.

No século XVI, Cesare Ripa, na sua Iconologia, representa a Fecundidade através de uma composição povoada por imagens de abundância e reprodução: uma mulher, aves com as suas crias, uma galinha acompanhada pelos pintos, ovos e uma lebre rodeada pelas suas crias. O conjunto não representa simplesmente a reprodução biológica. Constitui uma verdadeira gramática visual da abundância.

O ovo surge aqui integrado numa cadeia de correspondências: ovo, nascimento, cria, animal, mulher, terra e abundância.

A fertilidade humana e a fertilidade da Natureza encontram-se simbolicamente aproximadas. A mulher que gera uma criança e a terra que produz alimento participam de uma mesma experiência fundamental: a capacidade de produzir e sustentar a vida.

É importante, contudo, distinguir entre aquilo que podemos afirmar historicamente e aquilo que pertence ao domínio da interpretação simbólica. Não podemos afirmar que todas as comunidades pré-históricas atribuíam ao ovo exactamente os mesmos significados, nem que todos os rituais primaveris possuíam uma origem única. Podemos, porém, reconhecer uma recorrência extraordinária de símbolos associados à renovação, fecundidade e passagem entre morte e vida.

O mesmo princípio pode ser observado nos monumentos megalíticos.

No Alentejo, a Rocha dos Namorados, em São Pedro do Corval, conserva uma tradição popular particularmente expressiva. As jovens solteiras lançam pedras para o alto do afloramento rochoso, procurando através do sucesso ou do fracasso do lançamento uma resposta sobre o futuro casamento. A pedra, lançada para uma forma que se ergue da terra, participa de um ritual em que se cruzam terra, corpo, desejo, fertilidade e futuro.

A pedra torna-se, assim, um objecto de comunicação.

Não é apenas matéria. É uma matéria à qual o ser humano atribui significado.

Encontramos uma lógica semelhante nas construções megalíticas, onde pedras, alinhamentos e formas naturais são organizados segundo uma ordem que ultrapassa a sua simples função material. No Cromeleque dos Almendres, por exemplo, os menires são dispostos num espaço estruturado, revelando que a pedra podia adquirir uma dimensão ritual, social e simbólica.

Aqui reencontramos uma questão que atravessa todo este percurso: quando é que uma matéria deixa de ser apenas matéria?

Talvez quando o homem a transforma em signo.

A pedra, o ovo, o falo, a coluna, o obelisco ou a imagem do corpo podem tornar-se veículos através dos quais uma experiência humana é exteriorizada. O corpo poiético manifesta-se precisamente nessa capacidade de transformar matéria em representação e representação em pensamento.

A Páscoa cristã introduzirá uma nova dimensão nesta longa história simbólica.

O ovo, enquanto corpo fechado que contém uma vida invisível, encontra na Ressurreição uma poderosa possibilidade de outro significado. Cristo morre, é colocado no sepulcro e, no terceiro dia, ressuscita. O sepulcro fechado e o ovo fechado podem estabelecer, no plano simbólico — embora não necessariamente numa relação histórica de origem — uma analogia particularmente sugestiva: ambos encerram um mistério que só a abertura pode revelar.

A casca do ovo transforma-se, deste modo, numa espécie de limite entre dois estados da existência.

Dentro está a vida ainda invisível.

Fora está o mundo conhecido.

A ruptura da casca anuncia a passagem.

Da mesma maneira, a Ressurreição introduz no pensamento cristão a passagem da morte para a vida. O símbolo pagão da renovação natural e o símbolo cristão da Ressurreição não são necessariamente a mesma coisa, mas podem encontrar-se na imaginação cultural através de uma mesma estrutura simbólica: a morte não constitui necessariamente o fim; pode ser o limiar de uma transformação.

É talvez por isso que o ovo tenha sobrevivido com tanta força no imaginário pascal.

O cristianismo não precisou de eliminar completamente os símbolos anteriores. Em muitos contextos, pôde absorvê-los, transformá-los e atribuir-lhes novos significados. O símbolo sobrevive porque a forma permanece, mesmo quando a interpretação muda.

Esta capacidade de transformação acompanha a própria História da Arte.

Em 1885, o czar Alexandre III encomendou a Peter Carl Fabergé um ovo de Páscoa destinado à imperatriz Maria Feodorovna. Fabergé transformou o simples ovo num objecto de extraordinária sofisticação artística: uma forma exterior aparentemente fechada que escondia no seu interior uma surpresa.

O princípio simbólico permanecia.

O que está dentro?

A obra de arte torna-se, assim, uma espécie de ovo cultural: uma superfície que protege um conteúdo; um corpo que contém outro corpo; uma forma que convida à descoberta.

Também os jogos populares europeus associados aos ovos conservam esta dimensão de passagem e de expectativa. O egg rolling, por exemplo, coloca os ovos em movimento e testa a sua resistência. Noutros costumes, os ovos são escondidos e posteriormente procurados; noutros ainda são pintados, oferecidos ou colocados em competição.

Em todos estes casos, o ovo deixa de ser simplesmente alimento.

Transforma-se em objecto ritual, objecto lúdico, objecto de troca, objecto artístico e objecto simbólico.

A sua forma permanece praticamente inalterada, mas os significados multiplicam-se.

Talvez seja esta uma das características mais fascinantes dos símbolos: não possuem necessariamente um único significado; acumulam significados.

O ovo pré-histórico, o ovo primaveril, o ovo da fertilidade, o ovo pascal, o ovo oferecido, o ovo escondido, o ovo de Fabergé — são diferentes manifestações de uma mesma estrutura imaginária: um corpo fechado que contém uma possibilidade.

E regressamos, assim, ao princípio.

O ser humano nasce de um corpo e passa a vida a produzir corpos simbólicos: imagens, esculturas, edifícios, pinturas, objectos, palavras e obras de arte. Cria porque sabe que é mortal. Produz porque deseja permanecer. Representa porque procura tornar visível aquilo que não consegue tocar.

O ovo condensa esta experiência de forma exemplar.

É um corpo que contém outro corpo.

É matéria que contém vida.

É finito e, simultaneamente, promessa de continuidade.

É silêncio que anuncia nascimento.

Por isso, talvez possamos compreender o ovo como uma das imagens mais antigas do corpo poiético: uma forma aparentemente simples que contém em si o mistério da criação.

E talvez seja precisamente essa a razão pela qual, todos os anos, continuamos a oferecer ovos.

Não oferecemos apenas um objecto.

Oferecemos a promessa de que a vida continua.

Texto © Luís Barreira, 1991

Atenas

Luís BarreiraAtenaAtenas, Grécia, 1984Fotografia/ColagemSérie: entropia

Luís Barreira

Atena

Atenas, Grécia, 1984

Fotografia/Colagem

Série: entropia

Elizabeth

Luís BarreiraelizabethFotografia/ColagemSérie: entropia*realizada ao longo dos anos 80

Luís Barreira

elizabeth

Fotografia/Colagem

Série: entropia

*realizada ao longo dos anos 80

a n n a

Luís BarreiraA N N A - 1989Fotografia/ColagensSérie: entropiaarquivo: SLIDE_2119-F_126_9870, 1991

Luís Barreira

A N N A - 1989

Fotografia/Colagens

Série: entropia

arquivo: SLIDE_2119-F_126_9870, 1991

*Trabalhos expostos na primeira Bienal de Vila Franca de Xira, 1989

Miguel Ângelo

Miguel Ângelo"voltamos sempre ao ninho", 2017Pintura a óleo s/papel24x18 cmcolecção LCB

Miguel Ângelo

"voltamos sempre ao ninho", 2017

Pintura a óleo s/papel

24x18 cm

colecção LCB

Roda da Fortuna

Roda da Fortuna (pintura francesa, 1503 - Bibliotheque Nationale)

Roda da Fortuna (pintura francesa, 1503 - Bibliotheque Nationale)


A Fortuna é cega (vendada) mas na roda da sorte só a nobreza está em jogo...


BOM ANO

Walking Distance

O Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (Maat) acolhe uma exposição de trabalhos de Rui Calçada Bastos, com curadoria de João Pinharanda. Não se trata de uma exposição fotográfica nem o autor se intitula fotógrafo. É um percurso plástico sobre a relação do olhar (o seu) e o percurso vivenciado pelo registo fotográfico.

Simplesmente Brilhante…

photo by Luís BarreiraWalking Distance, Maat, 2016Rui Calçada BastosExposição

photo by Luís Barreira

Walking Distance, Maat, 2016

Rui Calçada Bastos

Exposição

Trabalhos de Rui Calçada Bastos, Maat, 2016

Trabalhos de Rui Calçada Bastos, Maat, 2016