Auto-retrato, 2006
Classic portrait, 2014
série: Classic portrait
Fotografia
arquivo: 03_15_DSC02228, 2006 / 08_05_IMG8515, 2014
Auto-retrato, 2006
Classic portrait, 2014
série: Classic portrait
Fotografia
arquivo: 03_15_DSC02228, 2006 / 08_05_IMG8515, 2014
Luís Barreira
Portraits in art
David & Hercules
2014
série: classic portraits
Fotografia
arquivo: 08_05_IMG_8470, 2014
*David Carvalho (avô)
Luís Barreira
Greek Head, 2014
série: Portraits in art
Fotografia
arquivo: 12_01_NIK_5165, 2014
Luís Barreira
untitled, 1984
London
série: entropia
Fotografia/Colagens
arquivo: SLIDE_2118, 1984
Jacob Adriaensz Backer (1608-1651)
Cortesã, c. 1640
Óleo s/tela
Colecção do Museu Nacional de Arte Antiga
Jorge Pinheiro, O corvo, 1989
Pintura óleo s/ tela
Col. Particular
Jorge Pinheiro
Nasceu em Coimbra em 1931
Formado pela ESBAP em 1963 com a classificação de 20 valores formou em 1968 o grupo dos "Os Quatro Vintes" juntamente com Ângelo de Sousa, Armando Alves e José Rodrigues.
Depois de uma incursão no abstracionismo geométrico, nos anos 60, Jorge Pinheiro retoma a tendência figurativa com um conjunto de quadros de temática religiosa e mística, dos quais destacamos a série dos Bispos realizados a partir dos anos 70.
Jorge Pinheiro (que foi meu professor na ESBAL) é um dos grandes pintores portugueses do nosso tempo (Século XX-XXI).
14 JULHO
Barrete Frígio da Revolução Francesa
O barrete frígio: cortar o nó górdio
O barrete frígio: cortar o nó górdio
O barrete frígio, que viria a transformar-se num dos mais poderosos símbolos da Revolução Francesa de 1789, transporta consigo uma história muito mais antiga do que a própria ideia de revolução. A sua origem remete-nos para a Frígia, região da Ásia Menor, povoada por histórias, mitos e personagens lendárias que a tradição clássica haveria de perpetuar.
É precisamente dessa região que nos chegam três figuras emblemáticas: Górdio, Midas e Migdão. Górdio, um simples camponês, tornou-se rei graças a uma profecia; Midas, seu filho, ficou célebre pelo extraordinário poder de transformar em ouro tudo aquilo em que tocava; e Migdão surge nas narrativas míticas associado aos conflitos entre os frígios e as amazonas. Entre estas personagens, porém, é Górdio quem nos oferece uma das metáforas mais persistentes da cultura ocidental: o nó górdio.
Conta a tradição que, depois da morte do rei da Frígia sem deixar descendência, o oráculo anunciou que o próximo soberano seria aquele que chegasse à cidade num carro de bois. A profecia cumpriu-se através de Górdio, um camponês que, inesperadamente, foi conduzido ao trono. Para não esquecer a sua humilde origem, Górdio depositou no templo de Zeus a carroça que o havia conduzido à cidade e amarrou-a a uma coluna com um enorme e intrincado nó.
O nó tornou-se célebre porque ninguém conseguia desatá-lo. A tradição acrescentou então uma nova profecia: aquele que conseguisse desfazê-lo seria destinado a conquistar a Ásia.
Durante séculos, o desafio permaneceu por resolver. Até que, em 334 a.C., Alexandre, o Grande, passou pela Frígia. Ao ouvir a história, dirigiu-se ao templo para observar o famoso nó. Depois de o examinar, em vez de procurar a solução dentro das regras que haviam mantido todos os outros prisioneiros do problema, desembainhou a espada e cortou-o.
Pouco importa saber onde termina a história e começa a lenda. O essencial é a metáfora. Alexandre não desatou o nó: cortou-o. Encontrou uma solução que rompeu com a própria lógica do problema.
É precisamente daqui que nasce a expressão “cortar o nó górdio”, utilizada para designar a resolução rápida e radical de uma questão aparentemente insolúvel. Mais do que encontrar uma resposta dentro das regras existentes, significa questionar as próprias regras que tornaram o problema impossível de resolver.
E talvez seja aqui que o barrete frígio encontre a sua verdadeira dimensão simbólica.
Quando, muitos séculos depois, o barrete passa a ser associado à liberdade, à emancipação e à Revolução Francesa, deixa de ser apenas um elemento de vestuário para se transformar numa imagem política. Colocado sobre a cabeça dos revolucionários, torna-se símbolo daquele que rompe com a ordem estabelecida e se recusa a aceitar como inevitável aquilo que parecia impossível de transformar.
O barrete torna-se, assim, uma espécie de coroa da liberdade: não pertence ao rei, mas ao cidadão; não representa a submissão, mas a emancipação. É a inversão simbólica da velha ordem. Onde antes existia uma coroa que legitimava o poder de um soberano, surge agora um barrete que proclama a liberdade daquele que decide o seu próprio destino.
E aqui podemos regressar a Górdio e a Alexandre.
O nó górdio representa o problema aparentemente insolúvel; o barrete frígio, a vontade de o enfrentar. Um simboliza a dificuldade, o outro a ruptura. Entre ambos encontramos uma mesma ideia: quando as soluções convencionais deixam de funcionar, talvez seja necessário mudar a pergunta, romper a regra ou, simplesmente, cortar o nó.
Midas acrescenta ainda uma outra dimensão a esta metáfora. Se Górdio representa aquele que se confronta com o impossível e Alexandre aquele que encontra uma solução radical, Midas representa o desejo de transformar o mundo através do poder que lhe foi concedido. Mas o seu dom rapidamente se transforma numa maldição: tudo aquilo em que toca converte-se em ouro, incluindo aquilo de que necessita para viver.
Talvez a lição seja precisamente esta: nem todos os problemas se resolvem com mais poder, mais riqueza ou mais força. Alguns exigem imaginação.
É por isso que o barrete frígio pode ser entendido como símbolo daqueles que ousam “pensar fora da caixa”. Daqueles que não aceitam o mundo como uma realidade acabada e que, perante os nós górdios da existência, procuram uma outra possibilidade.
A história da Frígia oferece-nos, assim, duas imagens extraordinariamente atuais: o nó que parece impossível de desatar e a espada que ousa cortá-lo.
Como escreveria Shakespeare, fazendo eco desta velha metáfora, há quem seja capaz de resolver o “nó górdio” com a mesma facilidade com que se desata uma jarreteira.
Talvez a verdadeira revolução comece precisamente aí: quando alguém deixa de tentar desatar o nó e decide cortá-lo.
Texto: 2017 © Luís Carvalho Barreira
Foto: Luís Barreira
Bela Silva no Museu Nacional de Arte Antiga, 2017
Cerâmica
Exposição
Ovo, 1985
fotografia de Luís Carvalho Barreira
O ovo da Páscoa — o corpo fechado e o mistério da vida
Muitos dos símbolos que hoje associamos à Páscoa possuem uma longa história anterior ao cristianismo. Ovos, flores, animais, sementes, ritos de passagem e celebrações da Primavera participam de um universo simbólico muito mais antigo, ligado aos ciclos da Natureza, à fertilidade da terra, à reprodução e à renovação da vida. Com a expansão do cristianismo, algumas destas práticas foram progressivamente integradas, reinterpretadas ou ganhando um novo significado no interior da celebração da Páscoa e da Ressurreição de Cristo.
Mas por que razão o ovo se tornou um dos seus símbolos mais persistentes?
A resposta talvez esteja na própria forma do objecto.
O ovo é simultaneamente matéria e promessa. É um corpo fechado que contém, no seu interior, uma vida que ainda não podemos ver. A sua superfície esconde aquilo que está para nascer. Existe, portanto, uma tensão entre o exterior e o interior, entre aquilo que conhecemos e aquilo que permanece oculto. Antes de se abrir, o ovo é apenas matéria; depois de aberto, revela uma possibilidade de vida.
É precisamente esta condição que lhe confere uma extraordinária força simbólica.
O ovo pode representar o princípio, a origem, o germe, a fecundidade e a esperança. É uma imagem elementar da passagem entre o invisível e o visível: algo existe dentro dele, mas ainda não se manifestou. O ovo encerra, assim, uma espécie de promessa ontológica — a possibilidade de uma existência que ainda não aconteceu.
Neste sentido, o ovo aproxima-se de uma das questões fundamentais que atravessam a experiência humana: como nasce a vida?
O ser humano observa a Natureza e reconhece os seus ciclos. A semente desaparece na terra para depois germinar; o animal reproduz-se; a planta morre e renasce; o Inverno dá lugar à Primavera. O ovo participa desta mesma lógica. É um corpo aparentemente imóvel que contém movimento; uma matéria silenciosa que contém uma possibilidade; uma forma finita que guarda a promessa de uma nova existência.
É nesta relação entre corpo, fecundidade e transformação que podemos reconhecer uma manifestação do nosso corpo poiético.
O corpo poiético é aquele que não se limita a existir: gera, transforma e produz significado. O ovo constitui uma das suas imagens mais elementares. É um corpo que contém outro corpo; uma matéria que produz vida; uma forma que anuncia outra forma.
Ao longo da História, esta capacidade simbólica foi ampliada pela cultura.
No século XVI, Cesare Ripa, na sua Iconologia, representa a Fecundidade através de uma composição povoada por imagens de abundância e reprodução: uma mulher, aves com as suas crias, uma galinha acompanhada pelos pintos, ovos e uma lebre rodeada pelas suas crias. O conjunto não representa simplesmente a reprodução biológica. Constitui uma verdadeira gramática visual da abundância.
O ovo surge aqui integrado numa cadeia de correspondências: ovo, nascimento, cria, animal, mulher, terra e abundância.
A fertilidade humana e a fertilidade da Natureza encontram-se simbolicamente aproximadas. A mulher que gera uma criança e a terra que produz alimento participam de uma mesma experiência fundamental: a capacidade de produzir e sustentar a vida.
É importante, contudo, distinguir entre aquilo que podemos afirmar historicamente e aquilo que pertence ao domínio da interpretação simbólica. Não podemos afirmar que todas as comunidades pré-históricas atribuíam ao ovo exactamente os mesmos significados, nem que todos os rituais primaveris possuíam uma origem única. Podemos, porém, reconhecer uma recorrência extraordinária de símbolos associados à renovação, fecundidade e passagem entre morte e vida.
O mesmo princípio pode ser observado nos monumentos megalíticos.
No Alentejo, a Rocha dos Namorados, em São Pedro do Corval, conserva uma tradição popular particularmente expressiva. As jovens solteiras lançam pedras para o alto do afloramento rochoso, procurando através do sucesso ou do fracasso do lançamento uma resposta sobre o futuro casamento. A pedra, lançada para uma forma que se ergue da terra, participa de um ritual em que se cruzam terra, corpo, desejo, fertilidade e futuro.
A pedra torna-se, assim, um objecto de comunicação.
Não é apenas matéria. É uma matéria à qual o ser humano atribui significado.
Encontramos uma lógica semelhante nas construções megalíticas, onde pedras, alinhamentos e formas naturais são organizados segundo uma ordem que ultrapassa a sua simples função material. No Cromeleque dos Almendres, por exemplo, os menires são dispostos num espaço estruturado, revelando que a pedra podia adquirir uma dimensão ritual, social e simbólica.
Aqui reencontramos uma questão que atravessa todo este percurso: quando é que uma matéria deixa de ser apenas matéria?
Talvez quando o homem a transforma em signo.
A pedra, o ovo, o falo, a coluna, o obelisco ou a imagem do corpo podem tornar-se veículos através dos quais uma experiência humana é exteriorizada. O corpo poiético manifesta-se precisamente nessa capacidade de transformar matéria em representação e representação em pensamento.
A Páscoa cristã introduzirá uma nova dimensão nesta longa história simbólica.
O ovo, enquanto corpo fechado que contém uma vida invisível, encontra na Ressurreição uma poderosa possibilidade de outro significado. Cristo morre, é colocado no sepulcro e, no terceiro dia, ressuscita. O sepulcro fechado e o ovo fechado podem estabelecer, no plano simbólico — embora não necessariamente numa relação histórica de origem — uma analogia particularmente sugestiva: ambos encerram um mistério que só a abertura pode revelar.
A casca do ovo transforma-se, deste modo, numa espécie de limite entre dois estados da existência.
Dentro está a vida ainda invisível.
Fora está o mundo conhecido.
A ruptura da casca anuncia a passagem.
Da mesma maneira, a Ressurreição introduz no pensamento cristão a passagem da morte para a vida. O símbolo pagão da renovação natural e o símbolo cristão da Ressurreição não são necessariamente a mesma coisa, mas podem encontrar-se na imaginação cultural através de uma mesma estrutura simbólica: a morte não constitui necessariamente o fim; pode ser o limiar de uma transformação.
É talvez por isso que o ovo tenha sobrevivido com tanta força no imaginário pascal.
O cristianismo não precisou de eliminar completamente os símbolos anteriores. Em muitos contextos, pôde absorvê-los, transformá-los e atribuir-lhes novos significados. O símbolo sobrevive porque a forma permanece, mesmo quando a interpretação muda.
Esta capacidade de transformação acompanha a própria História da Arte.
Em 1885, o czar Alexandre III encomendou a Peter Carl Fabergé um ovo de Páscoa destinado à imperatriz Maria Feodorovna. Fabergé transformou o simples ovo num objecto de extraordinária sofisticação artística: uma forma exterior aparentemente fechada que escondia no seu interior uma surpresa.
O princípio simbólico permanecia.
O que está dentro?
A obra de arte torna-se, assim, uma espécie de ovo cultural: uma superfície que protege um conteúdo; um corpo que contém outro corpo; uma forma que convida à descoberta.
Também os jogos populares europeus associados aos ovos conservam esta dimensão de passagem e de expectativa. O egg rolling, por exemplo, coloca os ovos em movimento e testa a sua resistência. Noutros costumes, os ovos são escondidos e posteriormente procurados; noutros ainda são pintados, oferecidos ou colocados em competição.
Em todos estes casos, o ovo deixa de ser simplesmente alimento.
Transforma-se em objecto ritual, objecto lúdico, objecto de troca, objecto artístico e objecto simbólico.
A sua forma permanece praticamente inalterada, mas os significados multiplicam-se.
Talvez seja esta uma das características mais fascinantes dos símbolos: não possuem necessariamente um único significado; acumulam significados.
O ovo pré-histórico, o ovo primaveril, o ovo da fertilidade, o ovo pascal, o ovo oferecido, o ovo escondido, o ovo de Fabergé — são diferentes manifestações de uma mesma estrutura imaginária: um corpo fechado que contém uma possibilidade.
E regressamos, assim, ao princípio.
O ser humano nasce de um corpo e passa a vida a produzir corpos simbólicos: imagens, esculturas, edifícios, pinturas, objectos, palavras e obras de arte. Cria porque sabe que é mortal. Produz porque deseja permanecer. Representa porque procura tornar visível aquilo que não consegue tocar.
O ovo condensa esta experiência de forma exemplar.
É um corpo que contém outro corpo.
É matéria que contém vida.
É finito e, simultaneamente, promessa de continuidade.
É silêncio que anuncia nascimento.
Por isso, talvez possamos compreender o ovo como uma das imagens mais antigas do corpo poiético: uma forma aparentemente simples que contém em si o mistério da criação.
E talvez seja precisamente essa a razão pela qual, todos os anos, continuamos a oferecer ovos.
Não oferecemos apenas um objecto.
Oferecemos a promessa de que a vida continua.
Texto © Luís Barreira, 1991
Luís Barreira
entropia #2112
Fotografia/Colagens
série: entropia
arquivo: SLIDE_2112, 1983
Luís Barreira
Atena
Atenas, Grécia, 1984
Fotografia/Colagem
Série: entropia
Luís Barreira
Giselle, 1983?
Fotografia/Colagem
série: entropia
Luís Barreira
Londres, 1987
Fotografia/Colagem
Série: entropia
Luís Barreira
nu #2125, 2000
Fotografia/Colagem
Série: entropia
Luís Barreira
elizabeth
Fotografia/Colagem
Série: entropia
*realizada ao longo dos anos 80
Luís Barreira
A N N A - 1989
Fotografia/Colagens
Série: entropia
arquivo: SLIDE_2119-F_126_9870, 1991
*Trabalhos expostos na primeira Bienal de Vila Franca de Xira, 1989
Miguel Ângelo
"voltamos sempre ao ninho", 2017
Pintura a óleo s/papel
24x18 cm
colecção LCB
Fátima Mendonça na inauguração da sua exposição, Janeiro 2017
CARAVELA - SALÃO
(14.01.17 / 04.03.17)
Foto: Luís Barreira
Fátima Mendonça, 2016
Roda da Fortuna (pintura francesa, 1503 - Bibliotheque Nationale)
A Fortuna é cega (vendada) mas na roda da sorte só a nobreza está em jogo...
BOM ANO
O Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (Maat) acolhe uma exposição de trabalhos de Rui Calçada Bastos, com curadoria de João Pinharanda. Não se trata de uma exposição fotográfica nem o autor se intitula fotógrafo. É um percurso plástico sobre a relação do olhar (o seu) e o percurso vivenciado pelo registo fotográfico.
Simplesmente Brilhante…
photo by Luís Barreira
Walking Distance, Maat, 2016
Rui Calçada Bastos
Exposição
Trabalhos de Rui Calçada Bastos, Maat, 2016