Último botão
no silêncio
e na escuridão
breu que respira devagar —
mudo
o silêncio despe o último botão
poema © LC Barreira
Mnemografias: imagens, textos e reflexões
Estas imagens procuram dar forma ao registo quotidiano, ao pulsar dos dias e à necessidade de preservar aquilo que, de outro modo, se perderia no tempo. São imagens que nascem da memória, da solidão e do silêncio — um silêncio que muitas vezes acompanha a experiência de olhar e que, simultaneamente, me inquieta e me interroga.
São, por isso, mnemografias: grafias da memória, imagens que procuram fixar não apenas aquilo que foi visto, mas também aquilo que foi vivido, pensado e sentido. Cada imagem constitui o vestígio de um instante e, ao mesmo tempo, o ponto de partida para uma reflexão sobre o tempo, o corpo e a própria experiência estética.
Estas grafias brotam de um processo simultaneamente reflexivo e mnemónico, desenvolvido ao longo do tempo, no qual a imagem deixa de ser apenas representação para se tornar lugar de pensamento. A memória transforma-se em matéria visual; o corpo torna-se arquivo; e a experiência vivida converte-se em linguagem.
É nesse movimento entre imagem, memória, corpo e pensamento que se revela aquilo a que podemos chamar corpo poiético: um corpo que não é apenas matéria ou presença, mas também criação, transformação e possibilidade. Um corpo que se inscreve no tempo e que, através da experiência estética, continuamente se refaz.
As mnemografias são, assim, tentativas de dar corpo ao que permanece: fragmentos de memória, vestígios de silêncio, pensamentos e imagens que resistem ao esquecimento e acompanham o devir estético.
Pesquisa por tema:
Último botão
no silêncio
e na escuridão
breu que respira devagar —
mudo
o silêncio despe o último botão
poema © LC Barreira
imagem do poema
a poesia
repete sem dizer —
dizer
o mesmo
2019, poemas © LC Barreira
Luís Carvalho Barreira
Flor de jacarandá, 2026
fotografia
arquivo: 20260614_NK5_5472
Solstício de Verão
tive um sonho
tão breve
parecia um pardal a saltar;
ficou o desejo,
um bater de asas
na noite
mais curta do ano —
solstício
poemas © LC Barreira
ofereço poema —
a quem me arrumar o quarto
poesia © LC Barreira
morrera de amores
morri uma vez —
ainda dói
poemas © LC Barreira
Annazul falta-lhe um parafuso — o meu
1991, poemas visuais © LC Barreira
um calhau rolado
é tão belo quanto —
Vénus de Botticelli
fotografia/poema © LC Barreira
arte
arte
amarte — erro ortográfico
arte
arte
1991 © LC Barreira
Luís Carvalho Barreira
Labirinto, 2026
Lisboa
Fotografia
arquivo: 20260607_IMG_4684
livro
tenho um amigo —
lido
poema © LC Barreira
pôr-do-sol
2026
poemas visuais © LC Barreira
Santo António
cheira a sardinha —
Lisboa
reza em manjericos
poemas © LC Barreira
Fotógrafo
a partir de amanhã
não volto a fotografar —
tudo,
tudo o que me rodeia
registarei
com o olhar
poemas © LC Barreira
Camões revisitado
amor —
que arda
mas sare
ferida —
que dói
e não se vê
no dia 10 de junho
poemas © LC Barreira
amor desenhado
amar é —
8
deitado
poesias visuais, 1999
© LC Barreira
Luís Carvalho Barreira
Christine Lobo com Cavalo-marinho, 2001
Palmela
serie: Retratos improváveis
Fotografia analógica
arquivo: 2001_FOLIO_509_3783
Luís Carvalho Barreira
c 003, 2026
Lisboa
Fotografia
arquivo: 20260328_NK5_4491
COR
P O
poemas visuais © LC Barreira
Luís Carvalho Barreira
Luna, 2026
Lisboa
arquivo: 20260329_NK5_4500