Duas ervilhas

Luis Carvalho Barreira

Grafias de Duas Ervilhas

serie: instantes trágicos

Fotografia / Poesia

arquivo: 2024_07_22_NK4_2157

POEMA


Duas ervilhas

 

Duas ervilhas gandaiam

em lavrado prato branco.

Uma é esguia e movediça

a outra é plácida e desocupada

pronta a ser degustada.

Ao dirimir do garfo

a inconstante ervilha

esguia-se

e não se deixa trespassar.

De investida em investida

o sedutor poeta

embriagado pela fantasia

teima em bandarilhar.

Exausto de tanto assédio

abandona-a ao pranto

desiste de a picotar...

Quanto à remanente ervilha

tinha o fado traçado

foi papada...

Luis Carvalho Barreira, ODE1O, 1991

"Sol, Lua e Thalia"

Luís Carvalho Barreira

“Sol, Lua e Thalia*”, 2024

serie: instantes trágicos

Fotografia

arquivo: 2024_05_22_LCB_05-676


  • Baseado no conto de Giambattista Basile (1575 – 1632) onde uma princesa, ao nascer, foi vaticinada a dormir por cem anos.

Mértola

Luís Carvalho Barreira

Arquitectura popular, 1984

Mértola

Fotografia

Gelatin Silver print

arquivo: 1984_FOLIO_015_4186

“odeio círculos concêntricos”, 2024

Luís Carvalho Barreira

“odeio círculos concêntricos”, 2024

serie: palavras nuas

Fotografia

arquivo: 2024_05_22_LCB_05-683


círculos concêntricos

 

ODE1O círculos concêntricos.

 

Semblantes aros desfolhados

Quero acamar meu desejo

(entre parênteses)

Centrado em teu corpo nu

 

Ah, espera aí...

eu disse que detestava as formas concêntricas?

Não, nada disso!

Não devia estar concentrado!

A excentricidade está entre parênteses.