Desenho, 1996

Luís BarreiraDesenho, 1996acrílico s/papel (60x80cm)modelo: escultura da Villa Adriana, Romacol. particular: Paula Silva

Luís Barreira

Desenho, 1996

acrílico s/papel (60x80cm)

modelo: escultura da Villa Adriana, Roma

col. particular: Paula Silva

neo lítico I

Luís Barreiraneo lítico I, 1985acrílico s/tela140x100colecção privada

Luís Barreira

neo lítico I, 1985

acrílico s/tela

140x100

colecção privada: Mariana Cavique

pomo

Luís Barreirapomo, 1983acrílico s/tela40x60 cmcolecção privada: Graça Figueiredo

Luís Barreira

pomo, 1983

acrílico s/tela

40x60 cm

colecção privada: Graça Figueiredo

Sons do Silêncio

Do álbum familiar, David Carvalho (avô)fotografia/artes plásticassérie: album

Do álbum familiar, David Carvalho (avô)

fotografia/artes plásticas


Sons do Silêncio

 

 

Há uma lápide — heróis aos combatentes da 1ª guerra mundial — junto ao Jardim da Carreira, em Vila Real.

Na pedra ficaram gravados alguns nomes.
Na terra ficaram esquecidos milhares de outros.

Chamaram-lhes heróis.

O meu avô nunca quis esse nome.

Levava a guerra nos olhos e o silêncio na voz.

Combatera em França.
Depois atravessara o Atlântico à procura de paz.
Regressara do Brasil com terras, uma venda, uma casa, uma figueira enorme e um poço que fazia cantar a água.

Toda a aldeia lhe chamava simplesmente o Padrinho.

Eu chamava-lhe avô.

Enquanto os outros lhe pediam a bênção,
eu dava-lhe um beijo.

Talvez por isso me tenha ensinado aquilo que nunca escreveu em livro algum.

Perguntei-lhe um dia se conhecera os homens cujos nomes estavam gravados na lápide.

Sorriu.

— Heróis…

E deixou que o silêncio acabasse a frase.

Depois pediu-me apenas:

— Descalça-te.

A água virá por este rego.
Quando chegar, tira os pés antes que se molhem.
Se o conseguires, serás um herói.

Aceitei o desafio.

Mas ele nunca mais falou da guerra.

Falou-me do alecrim.

Das brasas que ficam mais perfumadas.

Do chá que consola o estômago cansado.

Falou-me do loureiro.

Das coroas dos vencedores.

De Apolo, que perdeu Dafne e transformou a saudade em folhas eternas.

Sentámo-nos à sombra.

Vendaram-se-me os olhos.

E então ouvi.

O silêncio não era silêncio.

Era a água a cair no tanque.

Era o rego a procurar os milheirais.

Era o corvo a anunciar o vento.

Era o perfume do alecrim levado pela brisa.

Era o ranger da porta do palheiro.

Era o cuco respondendo aos sonhos de uma rapariga.

Era o rouxinol escondido na brenha, cantando sem querer ser visto.

Era o voo das andorinhas a rasgar o ar.

Era o mundo inteiro a respirar.

E eu, de olhos fechados, comecei finalmente a ver.

A água aproximava-se.

Esquecera-me do desafio.

Quando senti o frio subir pelos pés, já era tarde.

Molhara-me.

O meu avô sorriu.

Nunca me repreendeu.

Disse apenas:

— Sabes, meu neto… se eu tivesse morrido no campo de batalha, talvez hoje o meu nome estivesse gravado naquela pedra.

Chamavam-me herói.

Mas não estaria aqui…

 

…para te ensinar a ouvir os sons do silêncio.

1984, © LC Barreira

Paisagem, 1991

Luís Barreirapaisagem, 1991acrílico s/tela40x60 cmcolecção privada: Paula Teixeira

Luís Barreira

paisagem, 1991

acrílico s/tela

40x60 cm

colecção privada: Paula Teixeira

entropia

Nos anos 80 entre o mergulho no caos e o chafurdar na desordem, a entropia da arte encerrava em si um movimento de redescoberta da harmonia. O expressionismo gestual da pintura, que rompe em sucessivas camadas de tinta, dá lugar ao rasgar de espaços fruto do reenquadramento da máquina fotográfica. A fotografia como veículo, instrumento, das artes plásticas.

Luís Barreiraprojecto: entropia & arte (1982-1989)6 fotografias / trabalhos expostos na I Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, 1989Série: entropia

Luís Barreira

projecto: entropia & arte (1982-1989)

6 fotografias / trabalhos expostos na I Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, 1989

Série: entropia

pintura, 1991

Pintura

Luís Barreira, s/título, 1991Pragal300x250 cmacrílico s/gessoPINTURAcolecção particular

Luís Barreira, s/título, 1991

Pragal

300x250 cm

acrílico s/gesso

PINTURA

colecção particular

Papoilas, 1983

Luís BarreiraPapoilas, 1983acrílico s/tela50x60 cmcolecção particular: Graça Figueiredo

Luís Barreira
Papoilas, 1983
acrílico s/tela

50x60 cm

colecção particular: Graça Figueiredo

circles

Luís BarreiraCircles #07 - 1990Desenho 60x50 cmAcrílico, grafite a/papelsérie: circles

Luís Barreira

Circles #07 - 1990

Desenho 60x50 cm

Acrílico, grafite a/papel

série: circles