Luís Barreira
Desenho, 1996
acrílico s/papel (60x80cm)
modelo: escultura da Villa Adriana, Roma
col. particular: Paula Silva
Luís Barreira
Desenho, 1996
acrílico s/papel (60x80cm)
modelo: escultura da Villa Adriana, Roma
col. particular: Paula Silva
Luís Barreira
The Myth of Daedalus and Icarus, 1991
acrílico s/tela
160x185 cm
Pintura
Colecção privada: Olga Fortes
arquivo: SLIDE_21594, 1991
Luís Barreira
Queda do Mito, 1988
Díptico
320x185 cm
acrílico s/tela
Pintura
Luís Barreira
neo lítico I, 1985
acrílico s/tela
140x100
colecção privada: Mariana Cavique
Luís Barreira
pomo, 1983
acrílico s/tela
40x60 cm
colecção privada: Graça Figueiredo
Luís Barreira
"tenho pressa de morrer, em ti", 1991
acrílico s/tela
160x185 cm
colecção privada:
arquivo: slide_21554, 1991
Do álbum familiar, David Carvalho (avô)
fotografia/artes plásticas
Há uma lápide — heróis aos combatentes da 1ª guerra mundial — junto ao Jardim da Carreira, em Vila Real.
Na pedra ficaram gravados alguns nomes. Na terra ficaram esquecidos milhares de outros.
Chamaram-lhes heróis.
O meu avô nunca quis esse nome.
Levava a guerra nos olhos e o silêncio na voz.
Combatera em França. Depois atravessara o Atlântico à procura de paz. Regressara do Brasil com terras, uma venda, uma casa, uma figueira enorme e um poço que fazia cantar a água.
Toda a aldeia lhe chamava simplesmente o Padrinho.
Eu chamava-lhe avô.
Enquanto os outros lhe pediam a bênção, eu dava-lhe um beijo.
Talvez por isso me tenha ensinado aquilo que nunca escreveu em livro algum.
Perguntei-lhe um dia se conhecera os homens cujos nomes estavam gravados na lápide.
Sorriu.
— Heróis…
E deixou que o silêncio acabasse a frase.
Depois pediu-me apenas:
— Descalça-te.
A água virá por este rego. Quando chegar, tira os pés antes que se molhem. Se o conseguires, serás um herói.
Aceitei o desafio.
Mas ele nunca mais falou da guerra.
Falou-me do alecrim.
Das brasas que ficam mais perfumadas.
Do chá que consola o estômago cansado.
Falou-me do loureiro.
Das coroas dos vencedores.
De Apolo, que perdeu Dafne e transformou a saudade em folhas eternas.
Sentámo-nos à sombra.
Vendaram-se-me os olhos.
E então ouvi.
O silêncio não era silêncio.
Era a água a cair no tanque.
Era o rego a procurar os milheirais.
Era o corvo a anunciar o vento.
Era o perfume do alecrim levado pela brisa.
Era o ranger da porta do palheiro.
Era o cuco respondendo aos sonhos de uma rapariga.
Era o rouxinol escondido na brenha, cantando sem querer ser visto.
Era o voo das andorinhas a rasgar o ar.
Era o mundo inteiro a respirar.
E eu, de olhos fechados, comecei finalmente a ver.
A água aproximava-se.
Esquecera-me do desafio.
Quando senti o frio subir pelos pés, já era tarde.
Molhara-me.
O meu avô sorriu.
Nunca me repreendeu.
Disse apenas:
— Sabes, meu neto… se eu tivesse morrido no campo de batalha, talvez hoje o meu nome estivesse gravado naquela pedra.
Chamavam-me herói.
Mas não estaria aqui…
…para te ensinar a ouvir os sons do silêncio.
1984, © LC Barreira
Luís Barreira
paisagem, 1991
acrílico s/tela
40x60 cm
colecção privada: Paula Teixeira
Nos anos 80 entre o mergulho no caos e o chafurdar na desordem, a entropia da arte encerrava em si um movimento de redescoberta da harmonia. O expressionismo gestual da pintura, que rompe em sucessivas camadas de tinta, dá lugar ao rasgar de espaços fruto do reenquadramento da máquina fotográfica. A fotografia como veículo, instrumento, das artes plásticas.
Luís Barreira
projecto: entropia & arte (1982-1989)
6 fotografias / trabalhos expostos na I Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, 1989
Série: entropia
Pintura
Luís Barreira, s/título, 1991
Pragal
300x250 cm
acrílico s/gesso
PINTURA
colecção particular
Luís Barreira, menina com chapéu azul, 1985.
Acrílico s/tela
30x40 cm
Luís Barreira
Papoilas, 1983
acrílico s/tela
50x60 cm
colecção particular: Graça Figueiredo
Luís Barreira
Circles #07 - 1990
Desenho 60x50 cm
Acrílico, grafite a/papel
série: circles