Ouro sobre azul

Madonna della Catena  di San Silvestro al Quirinale  Século XIII

Madonna della Catena di San Silvestro al Quirinale

Século XIII

Ouro sobre azul

No decurso do Concílio de Éfeso, ano 431, foi defendido o valor da imagem, a sua representação, destacando o valor simbólico da cor. Neste encontro ecuménico saíram vencedoras as teses de que a maternidade divina de Maria é doutrina na Igreja ao invés dos nestorianos que sustentavam a ideia de Maria ser só mãe do Cristo-homem, porque lhes parecia absurdo uma criatura ser mãe do criador. Assim, Maria saiu reforçada na hierarquia da igreja católica e foram dadas indicações precisas à maneira de representar a “Mãe de Deus”: "recebe um manto azul, um azul-escuro, maravilhoso e caro, condizente com a rainha do céu". Estas directrizes são bem claras, não importa a semiótica da cor ou a mera reacção psicologia que cor possa provocar, Maria deveria ostentar as mais nobres cores: as mais raras, as mais dispendiosas.

É sabido que o primeiro pigmento azul estável usado no mundo antigo veio do lápis-lazúli (Mesopotâmia), uma pedra semipreciosa que os egípcios transformaram em pó combinando com o dourado para adornar as urnas dos faraós. A escassez deste mineral fez com que os egípcios descobrissem novos azuis, o azul egípcio. Estes pigmentos bastante saturados variavam desde o tom azul safira até o azul-turquesa. A raridade deste pigmento aliada à dificuldade na sua obtenção só tinha comparação com outro material precioso, o ouro, no que diz respeito ao seu valor monetário. É vulgar ouvir-se dizer que a perfeição é “ouro sobre azul”.